O teatro não serve para nada e ainda bem.
Não serve para resolver crises, não melhora estatísticas, não acelera o mundo. Pelo contrário: atrasa-o. Obriga-nos a ficar ali, sentados, a ver outros a fingir e, nesse fingimento, a dizer coisas demasiado verdadeiras.
É um ofício estranho. Pessoas que aprendem textos que não são delas, que dizem palavras escritas por outros, diante de desconhecidos, como se tudo aquilo estivesse a acontecer pela primeira vez. E às vezes está.
O teatro é isto mesmo, um acordo frágil. Nós fingimos, vocês acreditam. Ou talvez seja o contrário.
Num tempo em que tudo se repete até desaparecer, o teatro insiste no irrepetível. Hoje é hoje. Este gesto, esta pausa, este erro que não voltam. E talvez seja isso que ainda nos prende: a possibilidade de falhar diante de alguém. De estar vivo diante de alguém.
Não há teatro sem público mas também não há público sem esse desejo, meio inexplicável, de sair de casa para ver outros a viver. Ou a tentar.
Faz-se teatro em salas grandes, pequenas, em caves, em escolas, em sítios onde quase não há nada e, no entanto, acontece sempre qualquer coisa. Às vezes mínima. Às vezes suficiente.
Talvez o teatro seja isso: qualquer coisa que acontece entre pessoas, durante um tempo limitado, e que depois desaparece mas nunca completamente.
Fica uma frase. Um silêncio. Um desconforto. Ou uma alegria difícil de explicar.
E no dia seguinte, volta-se a tentar.
Feliz Dia Mundial do Teatro.
Autoria: Frederico Corado.
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