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Terror e Miséria no Terceiro Reich

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TERROR E MISÉRIA NO TERCEIRO REICH

A Companhia da Esquina, celebra o seu vigésimo aniversário com a estreia da peça “Terror e Miséria no Terceiro Reich”, de Bertolt Brecht. Esta notável produção, encenada por Jorge Gomes Ribeiro e com música do Maestro António Victorino D’Almeida, será apresentada numa Estreia Solidária no Dia Mundial do Teatro, a 27 de março, com todas as receitas a reverterem para a Apoiarte – Casa do Artista. A peça promete uma interpretação poderosa de um dos textos mais significativos e atuais de Brecht, oferecendo uma reflexão crítica sobre as guerras, a manipulação política e a resistência humana em tempos de conflitos globais. O espetáculo estará em cartaz de 28 de março a 13 de abril, de quinta-feira a sábado, sempre às 21h30, no Teatro Armando Cortez.

Com um elenco de renome, incluindo João Cabral, José Mateus, Maria José Paschoal, Paula Neves, Pedro Pernas, Ricardo Raposo, Rita Fernandes, Rui Luís Brás, e Sofia Nicholson, a peça é uma chamada à reflexão sobre a história e a política, destacando a manipulação e a resistência em tempos de guerra.

Declaração do Encenador Jorge Gomes Ribeiro

“Terror e Miséria no III Reich, de Bertolt Brecht, constitui um vigoroso estudo do quotidiano alemão sob o jugo do III Reich, baseado em factos reais. Este espetáculo evidencia a exploração do homem pelo homem e a manipulação da notícia, numa analogia com a atualidade: a manipulação da notícia, a escalada de conflitos bélicos e a perda de soberania e de direitos humanos. Para Brecht, a arte pela arte é sacrificada pela utilidade de explicar os problemas da sociedade. Este texto é uma ferramenta para interrogar a realidade e mobilizar a consciência política no público, estabelecendo um teatro épico que compõe o resgate dos seus elementos na diversidade de cena.”

“A música, a palavra e a encenação devem adquirir maior independência”, diz Brecht.

Celebração de Duas Décadas de Teatro com Consciência

Este aniversário é uma reafirmação da missão da companhia de promover a conscientização através da arte, mantendo viva a história. A Companhia da Esquina tem sido uma força motriz na cena cultural portuguesa, apresentando obras que desafiam, emocionam e provocam reflexão.

Informações sobre Bilhetes

Na noite de estreia, 27 de março, os bilhetes terão um valor simbólico de 8€, revertendo na totalidade para a Apoiarte – Casa do Artista.

(Texto de CM Jornal em 23 de fevereiro de 2024)

LOGO Companhia da Esquina

Red Litgh Circus

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RED LIGHT CIRCUS

RED LIGHT CIRCUS é um espetáculo que explora sensações do corpo e da mente através de um elenco incrível de performers . Humor sem barreiras que desperta o erótico através do novo circo. É um espetáculo sem barreiras que despertará o ímpeto erótico através da arte circense. Liberte-se nesta temática adulta cuja produção o envolve numa viagem sensual, cheia de acrobacias espetaculares e prazeres excitantes. Red Light Circus é uma noite de inesquecíveis emoções!

Criação e Direção Artística:
Jocka Carvalho

Elenco:
Jocka Carvalho
João Lopes
Xana Miranda
Rita Oliveira
Saulo Roque
Teresa Santiago

Assistente e Guarda-Roupa:
Fátima Fonseca

Design Gráfico:
Ana Domingos

Um espectáculo do Circo Contemporâneo de Lisboa

LOGO JPBeats

Nu & Cru

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Juntos Pá Comédia apresentam "Nu & Cru"

“NU & CRU” é a nova temporada para 2024 dos JUNTOS PÁ COMÉDIA, onde o público é a base de tudo e fornecem todos os “Ingredientes” para os atores a partir daí cozinharem uma “Cena” de total improviso.

Essa é a verdade Nua e Crua, não há disfarces nem rodeios, vamos diretos ao assunto sem deixar nada por dizer” é a única função do público, fornecer informações verdadeiras, os atores vão criar uma cena completamente pronta para servir na “mesa” que vai ser o palco.
Uma comédia totalmente bem decorada com um elenco bem vestido para vos servir umas grandes gargalhadas de chorar por mais.

Sigam-nos e não percam este espetáculo por nada, garantimos que todos os “Ingredientes” estão dentro da validade e com qualidade Michelin.

ELENCO
Leandro Domingos – Produtor/Ator/Improvisador
Paulo Cintrão – Encenador/Ator/Improvisador 
António de Andrade – Ator/Improvisador
Maria André – Ator/Improvisador
Miguel Frias – Músico/DJ
LOGO JPBeats

Natália Guimarães (Nós nos Outros)

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por Maria Helena da Bernarda

Natalia Guimaraes 1 Helena da Bernarda

Natália Guimarães


(publicado a 3 de agosto de 2023)

1|2 O SORRISO QUE NUNCA PERDI - Pés no ar
"Não gosto de mostrar má cara a ninguém. Não que não tenha os meus problemas, mas as pessoas é que não têm culpa. Dantes era muito chorona - tudo me comovia - mas a vida ensina-nos muitas coisas e nós vamos endurecendo, ou melhor, vamos aprendendo a relativizar. Se deixei de chorar, o sorriso nunca o perdi. Ainda me lembro de a minha mãe me ralhar: ‘Natália, não podes estar sempre de taxa arreganhada. Isso parece mal!’ (risos)
Vim para a Casa do Artista há 5 anos como acompanhante da minha irmã, a actriz Cecília Guimarães, com quem vivi a minha vida toda. Nenhuma das duas casou; sempre vivemos com os nossos pais e juntas continuámos após os seus falecimentos.
Quando a minha irmã foi perdendo capacidades, ela não queria ver-me sacrificada com as tarefas domésticas e sugeriu a mudança para aqui. Eu nunca a largaria. Infelizmente largou-me ela aqui dentro, pelas piores razões. Enquanto eu estive ao pé dela, dando-lhe as refeições, ela conseguia agarrar-se à vida; quando a levaram para o hospital, pouco tempo depois, faleceu. Mas nem a sua morte me dá o direito de fazer má cara a quem cá está.
Fui ‘ponto’ no Teatro Experimental dirigido pelo excelente Pedro Bom, apenas quando era necessário. A minha carreira foi mais planificada, mas não ‘pés na terra’. Também voei bastante, pois trabalhei longos anos numa agência de viagens. Adorava viajar.
Fiz o Curso de Instrução Prática da Escola Lusitânia Feminina, que incluía Línguas Estrangeiras, Estenografia, Dactilografia, Recreações Matemáticas… Era um curso muito completo que preparava bem as mulheres para funções administrativas, entre as quais o Secretariado.
No início da minha vida profissional, o Solnado convidou-me para ‘ponto’, pois uma voz suave e feminina era a ideal. Mas não era esse o meu sonho. Depois de uma passagem por uma empresa de cortiças, trabalhei durante 20 anos na Sandoz - um importante laboratório farmacêutico - mas o que me realizou verdadeiramente foi a agência de viagens onde estive muitos anos. Se já viajava na farmacêutica por força dos congressos que fazia, então na agência viajei muitíssimo, o que era sempre uma fonte de prazer.”

Fotografia: Mª. Helena da Bernarda

Natalia Guimaraes 2 Helena da Bernarda


(publicado a 4 de agosto de 2023)

2|2 O SORRISO QUE NUNCA PERDI - Piano a quatro mãos
“Talvez por gostar tanto sempre daquilo que fiz, nunca me entreguei sentimentalmente a alguém, para não comprometer a minha vida profissional. Conheci pessoas, tive assim um namorico ou outro, mas não tenho pena de ser solteira. Talvez de não ter filhos, sim, pois sempre gostei muito de crianças.
Hoje, há mulheres que optam por ser mães solteiras mas, considerando-me até muito aberta aos meus 94 anos, essa opção deixa-me dúvidas; questiono-me se não será uma forma de egoísmo. Faz-me impressão que uma criança não nasça num quadro de pai e mãe, mesmo que a vida possa mais tarde desfazê-lo. São épocas e, na minha, era impensável trazer deliberadamente ao mundo uma criança sem pai. Eu e a minha irmã tivemos uma educação conservadora, mas aberta ao tempo.
Tive uns excelentes pais, mas era com o meu pai que eu mais me identificava. Era um Senhor com maiúscula, de uma rectidão irrepreensível, licenciado em Economia e Finanças. Era afectuoso e dava-nos muita atenção; nunca nos batia, aconselhava. Além disso, tocava muito bem violoncelo, tanto que chegou a tocar numa orquestra. Nós tínhamos piano em casa, a minha irmã ainda fez o 9º ano de piano mas eu fiquei-me pelo 6º. Tanto que eu adorava os nossos serões musicais: o meu pai tocando violoncelo e nós as duas tocando piano a quatro mãos.
Vivi sempre com eles até ao último segundo das suas vidas. Perdi o meu pai no dia dos meus anos. Deixei de celebrar o meu aniversário. Para trás ficaram as lágrimas.
Tive quem gostasse de mim mas, honestamente, acho que nunca amei verdadeiramente um homem. Não o suficiente para casar. Não o suficiente para falhar os compromissos profissionais. Não, para me submeter a um homem que me dissesse: ‘Agora não vais para aqui ou para ali’. Na minha geração, era isso que se esperaria ouvir de um marido. Mas a vida é o que tem de ser e a felicidade de uma mulher não passa necessariamente por ter marido e filhos, mas por se realizar como pessoa. Eu sinto-me realizada, sobretudo pelas pessoas tão interessantes que conheci. Com 94 anos, ainda tenho muitas amizades que me vêm visitar. Mais de uma mão cheia! Que mais posso pedir?”

Fotografia: Mª. Helena da Bernarda

Américo Silva (Nós nos Outros)

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por Maria Helena da Bernarda

Americo Silva 1 Helena da Bernarda

AMérico Silva


(publicado a 31 de julho de 2023)

1|3 ENTRE AS MÃOS UMA GUITARRA - O Comboio Foguete
“Estou há 7 anos na Casa do Artista, de que sou sócio desde a sua fundação, por ser muito amigo do Raul (Solnado) e do Armando (Cortez).
Sentia-me um homem jovem até apanhar Covid três vezes consecutivas, doença seguida de uma fractura do fémur, de que estou ainda a recuperar-me. Desde então, já não sou o que era. Aceito fazer o ‘deve e o haver’ de uma vida intensa, dedicada essencialmente à música e ao espectáculo.
Ao contrário do velho rifão que sugere dizer que voltaria a fazer tudo o que fiz, eu afirmo que faria ‘quase’ tudo o que fiz. Mas há coisas de que me arrependo, sem dúvida.
Nasci em Amarante há 85 anos, tendo sido o primeiro da família a mudar-se para o Porto, ainda não tinha completado os 14. Amarante já era pequeno para mim. No Porto, fui residir em casa de um primos e comecei a trabalhar numa farmácia. Mas aquela vida sem emoção também não me bastava. O que me chamava, e viria a ser o maior amor da minha vida, que coloquei sempre à frente de outros, foi a música. Fiz dela a minha vida, a minha profissão, a minha deusa.
Fui um autodidacta no canto e na guitarra, fazendo do fado a minha melhor forma de expressão artística. Em 1957 concorri a um concurso radiofónico que se chamava ‘O Comboio Foguete’, tenho saído vitorioso na classe de fado. Há momentos que definem uma vida e esse foi um deles. A partir daí, tudo seria consequência. Viria a constituir diversos trios polifónicos com algum sucesso, entre os quais, ‘Os Três de Portugal’.
Já com uma agenda de espectáculos composta, fui apurado para o serviço militar e um dos quatro sortudos que, por sorteio, escapou ao Ultramar.” Fotografia: Mª. Helena da Bernarda

AMerico Silva 2 Helena da Bernarda


(publicado a 1 de agosto de 2023)

2|3 ENTRE AS MÃOS UMA GUITARRA - A Experiência
“Cumprido o serviço militar no Estado Maior do Exército, retomei o meu trio de sucesso. Recordo que um dia tínhamos um concerto marcado em Espanha. A TAP não cumpriu o horário do avião; como nós tínhamos contrato firmado para actuar naquele dia, a companhia colocou um Super Constellation à nossa disposição para chegarmos a tempo a Málaga, com destino a Marbella.
Os contratos no estrangeiro não paravam. Mas os trios que eu integrava não eram sempre os mesmos. Um deles foi o ‘Trio Boreal’, mas aquele que considero o melhor dos melhores, tecnicamente o mais consistente, chamava-se ‘Os Arautos’. Eu cantava e tocava requinto e viola.
Ao longo desta vida fantástica, conheci pessoas marcantes. À cabeça destaco a minha mulher, a única com quem casei e a mãe dos meus dois filhos - uma rapariga e um rapaz, ela 3 anos mais velha - mas também conheci figuras do mundo do espectáculo, amigos que viriam a tecer a minha carreira com fios e desafios muito interessantes…
Conheci o maestro Xavier Cugat nos espectáculos televisivos onde toquei, durante os quais ele regia a orquestra com um chihuahua no bolso da lapela, de patinha de fora balançando ao ritmo da música. Conheci o meu grande amigo e empresário Senhor Almeida, pai do Carlos do Carmo e dono do Faia, um espaço, naquele tempo, pequeno em tamanho mas enorme como referência do fado. De certa forma, o Senhor Almeida foi meu pai também: pai artístico, naturalmente.

Conheci ainda o Luiz de Campos - falecido aqui na Casa do Artista - o responsável de uma mudança radical na minha vida e proprietário de algumas das melhores casas de espectáculo no Brasil - São Paulo e Rio de Janeiro - e uma em Portugal. Um dia, o Luiz enviou-me uma carta dizendo que precisava muito de mim no Brasil… no prazo de uma semana. Ele sabia ser persuasivo. Eu já estava casado, tinha os dois filhos, tocava no Porto mas, confesso, fiquei muito seduzido por uma proposta tão tentadora. A minha mulher não me desencorajou e decidimos que valia a pena a experiência.
Fui, sem imaginar que viveria no Brasil 24 anos, 12 dos quais de uma assentada, sem vir a Portugal visitar a família.”
Fotografia: Mª. Helena da Bernarda

AMerico Silva 3 Helena da Bernarda


(publicado a 2 de agosto de 2023)

3|3 ENTRE AS MÃOS UMA GUITARRA - Amores
“A mulher e os filhos não foram de início porque havia a escola, a vida organizada aqui, enquanto a minha era uma total incerteza. Fui ficando, fomo-nos acostumando e a verdade é que estive 12 anos sem cá vir, embora nos falássemos todos os dias pelo telefone. Esse foi um erro que gostaria de não ter feito. Nunca nos divorciámos, mas nunca voltámos a ser um casal funcional. O casamento ficou ferido de morte pela distância, mas a amizade não. Infelizmente ela faleceu muito cedo. Ela foi a mulher da minha vida, afirmo-o sem vacilar.
A relação com os meus filhos é a possível. As marcas de um pai ausente terão ficado e várias vezes eles mo referiram. Mas pelo bem que lhes quero, pelo amor que lhes tenho, eles hoje compreendem-me. Não fui um pai nem um marido exemplar, mas sou um homem genuíno. Sou ainda um avô devoto de uma única neta de 32 anos que trabalha em Barcelona e que infelizmente pouco vejo. Agora, cabe-me a mim provar o amargo sabor das suas ausências.
Quando cheguei do Brasil, vim completamente agarrado à guitarra portuguesa. Era ela que eu abraçava todos os dias, a minha maior paixão, a certeza do meu futuro. A música falou sempre mais alto.
Só na Taverna d’El Rey, em Alfama, toquei mais de 12 anos. Mas corri as casas todas: a Adega Machado, o Faia, a Severa,… todas. Cantava e tocava. Se eu ia só como guitarrista, pediam-me para cantar; se eu ia para cantar, pediam-me para tocar. Nunca me escapava de fazer as duas coisas. Voltaria ao Brasil onde vivi, ao todo, quase 25 anos.
Ao longo da vida, tive muitas namoradas. Cheguei a viver maritalmente, mas casar não. Se admito que me arrependi do afastamento prolongado da família, tenho de ser honesto para dizer que não me arrependo de ter namorado nenhuma das mulheres que passaram pela minha vida.
Conheci pessoas tão interessantes, que não consigo preferir não as ter conhecido. Fui sempre honesto. Mais do que um homem de paixões, fui um homem de convicções, o que me levava a assumir cada relação. A mentira é o que mais me repugna. Acho que é por isso que aos 85 anos não tenho más memórias.
Não consigo imaginar uma vida sem música, sem verdade e sem amor.”

Fotografia: Mª. Helena da Bernarda

Teresa Sanches (Nós nos Outros)

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por Maria Helena da Bernarda

Teresa Sanches Helena da Bernarda

Teresa Sanches


(publicado a 18 de junho de 2023)

AS MUDANÇAS DA MINHA VIDA
“Sempre enfrentei todas as mudanças combinando realismo e esperança. Fiz 70 anos há duas semanas e não sinto que a idade por si me limite, enquanto eu tiver saúde que me assegure mobilidade. Ser mãe foi a primeira grande mudança na minha vida. Há um 'antes' e um 'depois' da maternidade, sendo que o depois é muito melhor. O esforço é amplamente recompensado.
Outra grande mudança, que voltaria a fazer sem hesitar, foi sair da função pública - trabalhava num Centro de Saúde - para integrar o Teatro Experimental de Cascais, como Técnica de Teatro, estava eu nos ‘trintas’. No TEC fui ponto, fui assistente de ensaios e de encenação, fui directora de cena, fiz luzes e só fiz interpretação duas vezes… por engano. Nunca foi esse o meu sonho. Era como técnica, dando suporte, que eu me exprimia melhor, mais competente e realizada.
A tarefa talvez mais significativa que fiz foi tratar um espólio de 18.000 fotografias do TEC. Digitalizei cerca de 10.000 - algumas das quais se desfaziam - e tinha de identificar cada fotografia, o autor, a peça e quem constava na imagem. Contactando muitas pessoas, consegui catalogar todo esse espólio, entretanto doado à Câmara de Cascais.
Entrei para o Teatro ainda casada, mas divorciei-me quase aos 40 anos. Foi outra mudança que tive de assumir, ajustando a minha vida.
Há 12 anos fui surpreendida com uma doença oncológica na tiróide, mas essa foi a mudança menos decisiva. Na verdade, apenas tive de superar a cirurgia de extração da glândula e passar a depender de um comprimido. Não me tornou diferente em nada.
A mais recente mudança foi a decisão de deixar a minha casa, perto de Montelavar, para entrar nesta residência, a Casa do Artista. Não suportava mais a solidão a que a Covid me estava a remeter. Mais do que o vírus, era o isolamento que me estava a matar.
Tenho dois filhos - um rapaz e uma rapariga - que me deram suporte, levando-me as refeições durante o confinamento. Valiam-me os filhos e o Manel, o meu gato de companhia. Quando decidi vir para aqui, só tive pena de devolver o meu Manel à Associação São Francisco de Assis, mas… tinha de ser.
Tenho mais medo de estar parada do que de mudar. Mudar é preciso!”

Maria Valejo (Nós nos Outros)

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por Maria Helena da Bernarda

Maria Valejo Helena da Bernarda

Maria Valejo


(publicado a 17 de junho de 2023)

UMA VOZ QUE SAI DO CORAÇÃO
“Vim para a Casa do Artista com o meu irmão, em Fevereiro passado. Ambos estamos ligados ao mundo do espectáculo e ainda mais ligados um ao outro… Ele, Mário Valejo, foi bailarino e coreógrafo, designadamente de muitas marchas populares. Eu, Maria Valejo, fiz do fado a minha vida, enquanto me senti bem em cima de um palco. Aos 67 anos achei que era hora de terminar a minha carreira. Com 80 anos feitos, sinto-me óptima e cheia de energia, mas guardei o fado no meu passado, repleto de memórias bonitas. Bendita a hora em que o escolhi como forma de estar na vida.
Tanto eu como o meu irmão tivemos as nossas relações sentimentais. De uma relação de cinco anos nasceu a minha filha, que hoje tem 50. Foi sempre uma filha maravilhosa, o melhor que Deus me poderia ter dado. Mas a relação com o pai… não rimava! Eu tinha um sentido de independência que não era compatível com o seu sentido de posse. E eu reconheço que sou muito inteira. Sou filha de mãe alentejana com pai espanhol e do signo Carneiro. Só sei viver podendo ser eu mesma! Além da minha filha, criei uma menina que é filha do coração. Quando tinha seis meses, a sua mãe cegou e deixou-a comigo; e comigo viveu até casar. Eu promovia o contacto dela com os pais. Quando de pequenina me chamava de mãe, eu procurava corrigi-la, tentando que me tratasse pelo meu nome. Sou Maria Joana, mas Maria sempre me bastou. Ela balbuciava ‘Dai’ e com esse nome para ela fiquei.
Tanto eu como o meu irmão nos separámos e perdemos os nossos pais. Quando nos vimos ambos sozinhos, decidimos coabitar na casa deles. Portanto, há quase 50 anos que vivo com o meu irmão. Tive alguns namorados, nenhum pelo qual valesse a pena coartar a minha independência. A coabitação com o meu irmão não me limitava; com outro homem, sim. Sempre nos tratámos por manos. Entre nós existe uma profunda dedicação, que o tempo veio reforçar. Com o passar dos anos, eu tenho mantido a genica - pego no carro e vou para todo o lado - enquanto o meu irmão começou a sofrer de demência. Percebi que eu não poderia deixá-lo em casa sozinho, mesmo que por um par de horas. Foi por ele que tomei a decisão de virmos os dois para a Casa do Artista, partilhando quarto. Ele não aguentaria muito tempo aqui sem mim. Apoiá-lo é o meu dever, porque ele também me apoiou quando eu era pequena, sempre com uma calma que não vacilava quando eu fazia traquinices. Foi um filho, um irmão e um tio excelente.
Há dias em que acorda e me pergunta: ‘Quem é a senhora?’ Respondo-lhe: ‘Então não sabes quem eu sou?’ Diz-me: ‘A sua voz não me é estranha mas não sei quem você é. E aviso-a já que a minha irmã não gosta de ninguém aqui no quarto.’ Com calma, digo-lhe que sou a sua irmã. Responde-me que sou uma senhora que ele não conhece. Peço-lhe que olhe bem para mim e então pergunta-me, inseguro: ‘És tu, querida? De verdade que és tu?’
Não é sacrifício estar na Casa do Artista nem me sinto limitada. Aqui posso sair, sabendo que o meu irmão não fica abandonado. Todos os dias saio às 7h30 da manhã para fazer uma hora de caminhada. Mas posso fazer muito mais… Desejei muito organizar uma marcha popular aqui na Casa do Artista, para marcar esta quadra com uma alegria contagiante. Os que não puderem marchar - a maioria não pode - vêem, cantam e batem palmas. Recebi o apoio da instituição, mas a tarefa é hercúlea. Ando a costurar o vestuário e adaptei uma marcha antiga instrumental, à qual ponho a minha voz. Confesso que ando cansada mas vale a pena sorrir e fazer sorrir.
Mesmo cansada, não paro. Nem quero parar!”

Nós nos Outros

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Capa

NÓS NOS OUTROS

por Maria Helena da Bernarda

Maria Helena da Bernarda @ Jorge Coimbra

Maria Helena da Bernarda

«Boa tarde, o meu nome é Maria Helena da Bernarda e tenho uma página no Facebook e no Instagram, que se chamam Nós nos Outros, onde relato diariamente histórias ou episódios da vida real e gostaria de saber se poderia dedicar-me cinco ou 10 minutos, a conversar um bocadinho comigo, e se aceitaria que eu contasse, nessa página, um episódio ou um bocadinho da sua vida.»
“Nós nos Outros” é um projeto de autoria de Maria Helena da Bernarda, onde a gestora relata diariamente histórias ou episódios da vida real de pessoas com quem se cruza. Desde o ano passado, pontualmente, Maria Helena da Bernarda visita a Casa do Artista e recolhe histórias únicas que merecem ser partilhadas - “…marca o início de uma série de histórias que desejo fazer na Casa do Artista, uma instituição que muito me sensibiliza e onde adorei estar. (…) Provavelmente a série não será contínua, mas intermitente. Por mim, a Casa do Artista andará perto de Nós o maior tempo possível, enquanto fizer felizes as pessoas naquela residência.” Serve esta página para agradecer o carinho que temos recebido, bem como, dignificar o projeto que abraça diariamente e que amavelmente nos incluiu.

Obrigada, Maria Helena da Bernarda.

Fotografia: Jorge Coimbra

Exposição António Casimiro

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Cartaz Antonio Csimiro 1

EXPOSIÇÃO "Percursos Dispersos" do Mestre ANTÓNIO CASIMIRO

A exposição “António Casimiro – Percursos Dispersos” inaugura o ciclo Mestres que a Casa do Artista pretende dedicar aos grandes mestres da cena portuguesa e inaugura também as comemorações dos 25 anos da APOIARTE- Casa do Artista. E que melhor forma de o fazer do que com aquele que é sem dúvida um dos mais marcantes cenógrafos portugueses e que pertenceu também a uma das direções da APOIARTE? Um percurso pela sua obra, pelas suas obras, que são afinal percursos distintos sobre o seu trabalho para o teatro, o cinema, a pintora e claro como isso se refletiu ao longo de uma vida como ser humano e em todos aqueles que marcou. Nesta exposição trazemos para a Galaria Raul Solnado na Casa do Artista o habitat máximo do artista: o seu atelier. O espaço de criação por eleição é recriado ao mais ínfimo pormenor neste espaço porque aqui, entrar no universo da obra de António Casimiro é caminhar ao seu lado ao longo do seu percurso artístico, dos seus percursos dispersos, mas entrar consigo pela porta do seu atelier. (Curadoria de Frederico Corado)

De segunda a Sábado das 10h00 às 18h00

Para mais informações contactar pedro.miranda@casadoartista.net

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Rocky Horror Story

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Rocky Horror Show

Conseguem sentir a Ttttttttt – Tensão?

“The Rocky Horror Show”, produzido pela segunda vez em Portugal… (e sim, a primeira vez também fomos nós!) Foi com este slogan que o Estúdio de Teatro Musical anunciou a sua nova produção de Inverno, o clássico de culto de Richard O’Brien, no ano em que o seu famigerado filme “The Rocky Horror Picture Show” celebra 50 anos! Após o grande sucesso no seu lançamento em 1973, cheio de temas muito polémicos para a época, o musical homónimo acumulou uma base de fãs por todo o mundo.

 

Com direcção cénica de Artur Marques e musical de Sofia de Castro, esta promete ser mais uma produção do ETM Primeiro Acto carregadinha de surpresas! Não estão a tremer de anteci… PAÇÃO?

 

Sinopse e Descrição do Espetáculo:

 

“The Rocky Horror Show” é uma jornada audaciosa e excêntrica, uma comédia
musical de culto que desafia normas e envolve o público numa trama de ficção
científica, horror e glamour. A história segue Brad e Janet, um casal que se depara
com o excêntrico Dr. Frank-N-Furter e o seu elenco de personagens peculiares.
Desde a estreia em 1973, o espetáculo tornou-se um fenómeno global, celebrado
pela sua originalidade e energia única. “The Rocky Horror Show” não é apenas um
espetáculo; é uma experiência que desafia as normas, redefinindo o que é possível
no teatro musical. Preparem-se para uma noite de música, risos e participação ativa.
Garantam já os vossos lugares para esta jornada teatral inesquecível!

Dias 8, 9 e 10 de fevereiro às 21h00

Dia 11 de fevereiro às 18h30

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Entrega IRS

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Quando entregar o seu IRS lembre-se do NIF 501705163

NIF Apoiarte – Casa do Artista

501 705 163