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Helena Vieira – Nós nos Outros

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por Maria Helena da Bernarda

Helena Vieira 1

HELENA VIEIRA


(publicado a 21 de dezembro de 2023)

1|2 HELENA VIEIRA - Perdas

“Vim há 6 anos e uns meses para a Casa do Artista, quando, aos 74 anos, fiquei sem a minha mãe. Faleceu em 2017, com 93 anos.

Em 2002, divorciei-me, por mútuo acordo e com o beneplácito do nosso único filho. Nem ele já nos via como um casal. Na verdade foi o meu marido (*) que quis voar e eu não lhe cortei as asas. Respeitei a sua vontade e, talvez por isso, mantemos uma relação de boa amizade. Um casal não se deve manter com o sofrimento de uma das partes. O meu filho foi fantástico no apoio aos dois. Digo, por graça, que ele é a melhor ária de ópera que já cantei. (risos)

Foi o meu único casamento e não refiz a minha vida porque simplesmente não apareceu ninguém que me interessasse. Não me apetecia passar entrar numa nova relação que não fosse com alguém melhor.

Aproveitei para preencher a minha solidão de uma forma positiva: trouxe os meus pais, na altura ainda autónomos, para a minha casa de Lisboa. Um dos meus irmãos já falecera e o outro vive no Algarve. Não me importei nada de poder apoiá-los nessa fase da vida, pelo contrário. Fui uma privilegiada! Nessa altura eu ainda cantava no São Carlos. Lá vivi uma década de ouro, com o Dr. Serra Formigal e o Dr. João de Freitas Branco. Mas os problemas de gestão surgiram e o Teatro fechou portas, para grande desgosto meu. Pouco tempo depois faleceu o meu pai. Senti uma dor profunda, porque o adorava de paixão. Se eu tivesse encontrado um homem como ele, aí sim! Não são só os meus olhos que o endeusam. A minha mãe também o adorava, e perdia-se com o seu bom humor contagiante.

Com o divórcio, o fecho do São Carlos e a morte do meu pai, fui-me abaixo. Deprimi, ao ponto de precisar de apoio médico para dar forças à minha mãe - também ela deprimida com a morte do seu querido Zé - e suportar a artrite reumatóide de que eu já sofria. Mas alguém tem de aguentar e teria de ser eu. A minha mãe foi ficando muito magrinha. Eu alimentava-a, fazia a sua higiene, deslocava-a na cadeira de rodas, mas ela mantinha a cabeça sã e era com que eu conversava.

Naquela manhã entrei no seu quarto, chamei: ‘Mãe..., mãe!’ Partiu durante o sono.”
(continua)

(*) O pintor e astrólogo Paulo Cardoso

Helena Vieira 2


(publicado a 22 de dezembro de 2023)

2|2 HELENA VIEIRA - O canto
(continuação)

“Com o falecimento da minha mãe, durante dois dias fiquei vazia e inerte, sentada no sofá, sentindo-me sozinha no mundo. Só saía para passear a Patinhas, a cadela que herdei do meu irmão. Quando me apercebi da vastidão do meu vazio, liguei para a Casa do Artista. Quando aqui cheguei, só queria estar deitada. Com o tempo aprendi a aceitar a morte, muito ajudada por um estudo de uma igreja japonesa. Mas a saudade é inevitável.

Infelizmente, o meu filho vive no Porto e não o vejo - a ele e ao meu querido neto de 13 anos - tanto quanto gostaria. Dói-me a distância. Falamos com frequência, dizemos que temos saudades mútuas, mas não é o mesmo que estar fisicamente.

Felizmente… tenho umas amigas do tempo da minha mãe que me visitam e levam a passear. Adoro passar a tarde com elas.

Tenho 70 anos, sou diabética desde criança mas cuido-me. Quero viver enquanto a cabeça funcionar, eu puder cuidar de mim e fizer boa companhia aos outros. Mesmo com as minhas mazelas - caminho com dificuldade - ainda consigo divertir-me e divertir os outros com o fino sentido de humor que herdei do meu pai. Dediquei a vida profissional ao canto, uma paixão que me deixou grandes memórias. Comecei a cantar muito cedo, tendo cursado o Conservatório. Cantar profissionalmente para os outros, tocar a sensibilidade das pessoas dando o que de melhor tenho e sentir que elas gostam de nós, faz um bem imenso à alma. Já não posso cantar, mas posso sonhar. Trago dois desejos comigo: para este ano, será rever o meu filho e neto; para os próximos, cumprir o grande sonho de viajar ao Brasil para ouvir ao vivo o cantor, actor e instrumentista Almir Sater. Toca brilhantemente viola caipira, de 10 cordas, descendente da viola braguesa. Adorava conhecê-lo, oferecer-lhe uma viola braguesa - que imagino não tenha - e, sei lá, perguntar-lhe coisas!” (risos)

TOCANDO EM FRENTE
Almir Sater

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque eu já chorei demais

Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Eu só levo a certeza
De que muito pouco eu sei
Ou nada sei

(…)

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Ivan Coletti – Nós nos Outros

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por Maria Helena da Bernarda

Ivan Coletti 1 Helena da Bernarda

IVAN COLETTI


(publicado a 17 de dezembro de 2023)

1|3 ONDE ME SINTO - Regresso da Maresia Foguete
“Nem eu nem o Pedro adoramos viagens de cruzeiro, mas pela sua mãe, para lhe trazer de volta a maresia e avivar as boas memórias, fomos os três e correu muito bem. A cadeira de rodas em que se move aos seus 90 anos não a impediu de quase nada. Veio recarregada de vida e maresia.

Para nós foi também um merecido descanso depois de um ano de árduo trabalho. Temos ambos 66 anos, mas trabalhamos como se tivéssemos 20. Sou produtor de teatro e televisão. Além da produção e montagem - organizo o necessário para a posta em cena - faço a maquilhagem e caracterização dos atores. Essa vertente, que mantenho, foi a constante ao longo da minha vida profissional e a que me abriu outras portas.

Só este ano produzi a ‘Pentesileia’ no Teatro do Bairro - ainda fazia o Castelo de São Jorge - 'Os Gigantes da Montanha’ de Pirandello nas Ruínas do Carmo e ‘A Tempestade’ de Shakespear no São Luiz… Também eu estava a precisar daquele nosso retiro no mar.

A mãe do Pedro é a figura cimeira de uma família conservadora, com um estatuto sociocultural que a minha nunca teve, e em que fui entrando de forma ‘sorrateira’ e natural, tal como ela em mim. Eu e o Pedro temos uma relação inequivocamente linda, há 38 anos. Creio que foi a evidência dessa beleza que ganhou o respeito de todos. Ainda conheci a avó do Pedro - a avó Lena - a primeira que identificou, com carinho, a natureza especial da nossa relação. A minha sogra é para mim uma segunda mãe. Sentimos cumplicidade. Ela merece receber toda a doçura que eu lhe possa dar. Adoro também os meus cunhados e sobrinhos e sou um orgulhoso padrinho da sobrinha mais velha.

O universo foi generoso comigo… Nasci no Brasil, numa família simples. Os meus pais saíam de casa para o trabalho às 6h da manhã, a minha irmã ia para a escola e eu, com 6 anos, varria, fazia as camas e cozinhava o arroz para o almoço, em cima de uma cadeira. Quando queria ouvir música ia para casa de um tio, que tinha um gira-discos fascinante, como um tesouro. A música que mais me comovia era o fado, cantado pela Amália. Chorava copiosamente. Quando vim a conhecê-la pessoalmente, era como se já a conhecesse de toda a vida.”
(continua)

Ivan Coletti 2 Helena da Bernarda


(publicado a 18 de dezembro de 2023)

2|3 ONDE ME SINTO - A primeiríssima
(continuação)

“Sempre estudei, ainda que aos 12 anos tivesse de ir trabalhar para continuar os estudos à noite. Empreguei-me numa loja como ‘pacoteiro’: fazia embrulhos. Na hora de fazer formação superior, escolhi Artes Dramáticas, porque me fascinava a beleza associada ao espectáculo: do teatro à música, da televisão ao circo. Quando acabei o curso, percebi que tinha '25 pernas esquerdas' como actor. Por outras palavras, era um canastrão! (risos) Mas continuava fascinado pela luzes, tecidos, cores… e pela imagem dos atores.

Um dia, por falta de um maquilhador, ofereci-me para maquilhar uma vedeta que produzia os concursos Miss Brasil. Correu de tal forma bem, que em pouco tempo estava a fazer cursos de maquilhagem e caracterização de atores e a trabalhar para para novelas de televisão.

Nesse meio, conheci um casal alemão que tinha uma clínica de estética orientada para o mundo do espetáculo e me convidou a ir para Munique. A viagem previa uma paragem em Madrid, cidade que não me encantou mas teve, pelo menos, o mérito de atiçar a minha vontade de conhecer Lisboa. Apanhei o comboio em Atocha e entrei em Lisboa ao amanhecer. Já num taxi a caminho do hotel, com a rádio ligada num programa do António Sala e Olga Cardoso, vi o Tejo ao som de ‘Lisboa, não sejas francesa’, na voz da Amália. As lágrimas escorriam-me pela cara abaixo. Não conseguia parar de chorar mas, sem saber, pararia em Lisboa para o resto da minha vida. Adiei Munique, até sempre.

Aqui contactei a RTP, que assegurou os primeiros dias com trabalhos de maquilhagem ocasionais. No meu jantar de despedida, aproximou-se uma senhora da minha mesa, perguntando: ‘O rapaz está triste, ou é triste?’ Depois, abeirou-se de um piano e, olhando na minha direção, começou a cantar: ‘Eu sei que eu tenho um jeito, meio estúpido de ser…’. Era a Simone de Oliveira, senhora com quem construí uma forte relação de amizade, que perdura. Criei outras amizades, mas ela é a primeiríssima!

A despedida não se deu porque, trabalho atrás de trabalho, mesmo em recibos verdes, havia sempre uma razão para ficar.

Um dia, recebi uma mensagem do Nicolau pedindo para falar comigo.”
(continua)

Ivan Coletti 3 Helena da Bernarda


(publicado a 19 de dezembro de 2023)

3|3 ONDE ME SINTO - Amor
(continuação)
“O Nicolau queria montar uma produtora e precisava de mim. Eu não o conhecia. Combinámos encontro no Parque Meyer. Quando lá cheguei, perguntei a um senhor quem era o Nicolau Breyner. Respondeu-me: ‘Vem falar com esse senhor? Ele é má pessoa. Péssimo mesmo!’ Pintou-me o pior cenário. Apreensivo, ainda esperei 20 minutos, observando o Varela a ensaiar. Quando decidi desistir, o mesmo senhor a quem me dirigira perguntou-me onde ia eu.

Respondi que ia embora, deduzindo que o Sr. Nicolau já não quereria falar comigo, ao que ele respondeu, com um sorriso maroto: ‘Eu sou o Nicolau Breyner!” De terrível não tinha nada. Adorei aquele homem, para quem trabalhei muitos anos.

Foi na produtora dele que encontrei o amor da minha vida. Um dia, o Pedro convidou-me para jantar e… passámos a jantar sempre juntos até hoje. Ele fez-me sentir que nasci duas vezes: a segunda em Lisboa. Hoje sou muito mais português que brasileiro.

Trabalhámos durante 20 anos frente a frente mas, inteligentemente, nunca levámos o trabalho para casa. Casámos 25 anos depois de estarmos juntos, com a maior discrição. Só nós dois. Quando informámos os seus pais, recordo a reação do pai, um senhor que eu adorava. Era calmo e silencioso, o que impõe sempre um especial respeito. Cruzou os braços e perguntou: ‘Vai haver festa?’ Perante a nossa negação, abriu os braços e respondeu: ‘Isso é que está mal!’ (risos) Acho que o Pedro quis, com o casamento, salvaguardar a minha situação no caso de partir antes de mim. Nem quero pensar nessa hipótese, mas ele pensou.

Tenho a consciência da diferença que existe entre o património de um e outro. Mas, para mim, é claro que todas as peças que ele tenha de família, para a sua família voltarão. Não penso na morte, vivo o dia presente. O universo deu-me tudo, mas o mais importante foi o Pedro e a relação pura que vivemos. Ao lado dele, nunca senti o custo da fidelidade; ela surge naturalmente. Nunca penso no que não tive ou ficou por fazer, da mesma maneira que não faço grandes planos para o futuro. Caminhamos juntos em total sintonia, sempre de acordo um com o outro, sempre sem desejo de estar noutro lugar. Estou onde me sinto!”

Luísa Afonso – Nós nos Outros

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por Maria Helena da Bernarda

Luisa Afonso 1

Luísa Afonso


(publicado a 19 de setembro de 2023)

1|3 COMO PEDRA NA PAISAGEM - A mudança
“Tenho 78 anos de uma vida com alguns desgostos profundos, mas todos os dias acordo feliz, só por estar acordada. Sei que um dia não vou acordar. E só por poder ver a luz de um novo dia, tenho de agradecer a Deus. Mas também acredito que haverá outra vida, certamente melhor que esta.

Talvez seja a minha origem transmontana que me dá a resistência. Trás-os-Montes é rica em lendas. Diz-se que lá, as mulheres são homens e os homens são lobisomens. É uma outra forma de dizer que as pessoas são autênticas, terra-a-terra, rijas como a pedra que prevalece naquela paisagem. A perda repentina dos meus pais, em momentos diferentes, foi um choque. Embora eu já não vivesse com eles, a ligação era profunda. Possibilitaram-me uma infância e adolescência maravilhosas. Fui feliz como nunca mais viria a ser.

Eu adorava subir às árvores com os meus irmãos, que eram muitos. Não nos faltava comida. Brinquedos também não, porque a Natureza era toda ela um brinquedo, e era toda minha. Quando acabei a 4ª classe, não podia continuar a estudar. Comecei a ocupar-me com as tarefas domésticas, a agricultura e o gado. Mas o que eu mais adorava eram os arraiais, que me permitiam dançar na rua com as minhas irmãs. Eu devia destacar-me, porque as pessoas estancavam à minha voltar só para me ver dançar.

Um dia, a minha irmã mais velha, que fazia serviço doméstico como interna em Lisboa, convidou-me a vir com ela. Teria eu 17 anos. Custou-me deixar os meus pais, quase tanto como convencê-los a deixar-me vir. Lembro-me de ver a minha mãe chorar - era muito agarrada aos filhos - e de eu fazer um esforço para me manter dura. Não podia quebrar. Se eu chorasse, o meu pai ter-me-ia impedido de vir.

Fiquei com a minha irmã na casa onde ela trabalhava. Um dia, ela levou-me a ver uma revista com a Florbela Queiroz. Fiquei tão encantada que pensei: ‘É isto que eu quero fazer!’

Dito e feito! Quando cheguei a casa com a minha irmã, inventei uma desculpa para sair, regressar ao teatro e dizer: ‘Quero vir para o Teatro!’ Só assim!

No dia seguinte ia começar um revista nova e disseram-me que me apresentasse às 4h da tarde para prestar provas como bailarina.”
(continua)

Luisa Afonso 3


(publicado a 20 de setembro de 2023)

2|3 COMO PEDRA NA PAISAGEM - Tudo menos isso
(continua)

“Sem formação, comecei a vida como bailarina no teatro de revista. Estreei-me com 17 anos. O meu primeiro ensaiador perguntou-me se alguma vez eu tinha aprendido dança ou ginástica. Respondi-lhe que a minha única ginástica era subir às árvores, na minha terra.

Ele ensinou-me tudo. Precisei de arranjar mil desculpas em casa para não faltar aos ensaios. Rapidamente aprendi a dançar em pontas. Quando me consideraram-me apta, quiseram fazer-me um contrato e pediram-me o Bilhete de Identidade. Aí é que foi o problema. Em vez de ficar eufórica, fiquei preocupada por ser menor. Só tinha 17 anos. Precisavam da permissão do meu pai. Mas se ele estava em Trás-os-Montes?!

Lá ultrapassaram o entrave, fazendo-me um contrato no qual fui tutelada pelo Ministério do Interior. O Ministério é que foi legalizar uma ilegalidade. (risos) Liguei-me de tal forma ao teatro que fiz quase tudo o que havia para fazer além da dança, desde interpretação ao fabrico de adereços. Fiz muitos chapéus. Mesmo no mundo do espectáculo, sempre gostei de me levantar e deitar cedo. De certa forma, isso protegeu-me de muitos riscos. Só não me protegeu do meu primeiro e único amor…

Foi no Teatro que o conheci. A nossa ligação foi imediata e profunda. Vivemos juntos 4 anos, relação que me deu a minha única filha, tinha eu 20 anos. Quando a menina tinha 2 anos e meio, ele ficou fora de casa uns dias… pensava eu. Quando ouvi a mulher do chefe dele dizer ‘Olhe, o Pinho casou ontem e está em lua-de-mel’, fiquei de pedra. O choque foi de tal maneira que decidi nunca mais querer homem nenhum. Passaria a ser a mulher mais independente do mundo, preparada para criar a minha filha sozinha. Ele enganou-me tão bem, que nunca poderia voltar a confiar num homem.

Nunca mais o vi. Só sei que após ter casado, emigrou para a Alemanha. Partiu sem dar o nome à filha. Tive de ir a Tribunal, para que ela tivesse o seu apelido. Consegui-o, sem que ele exigisse teste de paternidade, pois conhecia-me bem. Nunca exerceu de pai nem deu a mínima contribuição para o sustento da menina. Eu também não lhe pedi nada, não fosse ele tirar-me a filha. Tudo menos isso!”
(continua)

Luisa Afonso 2


(publicado a 21 de setembro de 2023)

3|3 COMO PEDRA NA PAISAGEM - Desgosto maior
(continuação)

“Não consegui dar um pai à minha filha, mas nunca lhe faltei com nada. Isso não impediu que nela se instalasse uma amargura.

Um dia ela quis falar ao pai, teria 9 anos. Queria explicações que eu não lhe podia dar. Ajudei-a a enviar uma carta, endereçada através de uma assistente social, para evitar o contacto. A mesma senhora escreveu de volta, dizendo que o pai pedia que a filha não o contactasse pois a mulher era ciumenta e far-lhe-ia a vida num inferno. Custou-me tanto dizer à minha filha que o melhor era ela esquecer e que não valia a pena estragar a vida ao pai. ‘Vamos dar-lhe esse direito’, disse-lhe. E a minha filha respeitou a sua vontade, certamente com muita dor. O tempo passou mas, infelizmente, eu e a minha filha não mantemos uma relação de proximidade. Eu resigno-me, tentando aceitar os seus traumas. Também aceito a angústia que possa ter sentido quando eu ia para o Teatro e ela ficava sozinha, por falta de apoio familiar. Aceito não ter sido o tipo de mãe com uma vida estável, que todos os filhos gostam. Vivo em esforço para compreender o seu afastamento, há muitos anos já…

Pouco anos depois de a minha filha casar e ser mãe, sentindo que o meu próprio papel de mãe estava cumprido, emigrei para os Estados Unidos, disposta a fazer qualquer trabalho sério. Precisava de ganhar a vida. Aos fins-de-semana fazia teatro, mas isso não dava para me manter. Então, nos dias úteis trabalhava a dias.

Durante a minha estadia na América falávamo-nos, trocávamos cartas e telefonemas. Todos os anos vinha visitá-la à Amadora.

Um dia, fui visitá-la e já lá não vivia. Sem qualquer zanga entre nós, apagou todos os rastos. Fiz várias tentativas de a procurar, mas desconheço a nova morada e não há ninguém que me dê o mínimo sinal da sua vida. Hoje ela tem 58 anos e seis filhos, netos que não vejo.

Vivo na Casa do Artista desde os 64 anos, entre a resignação e a esperança. Mantenho uma fé inabalável em Deus, mas o meu coração fechou-se, salvo para apoiar todos os residentes que mais precisam de ajuda.

A Deus, só Lhe posso dar contas daquilo que eu faço e só Lhe peço uma coisa: que nunca abandone a minha filha.”

Luisa Afonso 4 Helena da Bernarda


(publicado a 22 de setembro de 2023)

O REENCONTRO
CLIQUE NA IMAGEM PARA VER VÍDEO DO REENCONTRO!!

“Quando cheguei àquela casa, nunca pensei que abrissem a porta a duas desconhecidas. Fomos recebidas por uma jovem - mãe de um bisneto meu cuja existência desconhecia - e pela sua mãe. Assim que eu disse de quem era avó, os braços abriram-se-me com imensa generosidade.

Disseram-me que a minha filha estava viva e bem - tudo o que eu queria ouvir - e que ela lhes falava de mim. Senti que me tiraram 20 anos de angústia. Fizeram-me sentir que ali eu estava em família. Parecia que todas estávamos à espera daquele momento. Maior pressão senti quando me disseram que a minha filha e neto estavam a chegar para entregar o meu bisneto. Quando a campainha tocou e ouvi os passos na escada, aí realmente senti o coração a bater forte. Nem sei descrever o que senti após uma espera de duas décadas: era urgência, ansiedade, receio…

Eu desejava conhecer toda a família mas a minha filha… é o amor da minha vida. Quando ela me viu, abriu imediatamente os braços e fundimo-nos num abraço demorado. Só me lembro de que ela me disse: ‘Eu amo-te muito, mãe’. Respondi: ‘Também te amo muito, filha!’ Já não recordo mais nada. E mais nada era preciso dizer, naquele momento. E, se calhar, é só isso que mãe e filha crescidas precisam dizer. Desejo desenvolver uma proximidade com todos, mas a ligação à minha filha é única. É que os netos não os vi crescer; ela sim!

Acabou-se a angústia de saber o que lhe possa ter acontecido. Parti com um alívio inexplicável e a mesma certeza: o meu amor pela minha filha é incondicional. Decidimos as duas que a história da nossa vida era a que quiséssemos contar daqui para a frente. O nosso livro só tem páginas brancas. Acho que esta noite não vou conseguir dormir. Mas desta vez é de felicidade!”

NR: As fotografias foram feitas com telemóvel, após as lágrimas terem sido limpas. A máquina ficara no carro, porque o objectivo não era fotografar o momento. Por um lado não se esperava que este reencontro acontecesse já hoje. Por outro, não havia intenção de fotografar. Mas foi tudo tão espontâneo - os olhares, os beijinhos - que não resisti.

AGEING CONGRESS 2024

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Armando Cortez Facebook

AGEING CONGRESS 2024

O Ageing Congress (Congresso sobre Envelhecimento) é um evento que reúne especialistas, investigadores, profissionais de saúde e outros interessados no estudo e na promoção do envelhecimento saudável. Este congresso aborda uma ampla gama de tópicos relacionados com o envelhecimento, incluindo aspetos médicos, sociais, psicológicos e econômicos.

O Ageing Congress 2024 realiza-se no Teatro Armando Cortez, focando em questões atuais e relevantes relacionadas ao envelhecimento populacional, políticas de saúde, avanços médicos, qualidade de vida dos idosos, entre outros temas pertinentes.

Estes congressos mostram-se importantes para promover o intercâmbio de conhecimentos e experiências, além de incentivar a colaboração entre profissionais e investigadores de diferentes áreas relacionadas ao envelhecimento.

Manuela Maria (Nós Nos Outros)

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por Maria Helena da Bernarda

Manuela Maria 1

Manuela Maria


(publicado a 18 de setembro de 2023)

O PRIVILÉGIO
“A Casa do Artista é um bonito projeto cuja ideia veio do Raúl (Solnado) e foi posto em prática por um grupo de artistas, entre os quais o meu marido, o Armando (Cortez) e eu também, claro.

Vários atores fundaram uma Associação para angariar fundos, atuando de boa vontade. Tudo boa gente, que preferia não se lamentar mas decidir: ‘Vamos fazer!’ O Armando, meu único marido e grande amor, faleceu há 21 anos. Pensávamos da mesma maneira. Tudo nos unia, o teatro também. O palco sempre foi o meu chão, pois sou filha de atores.

Estivemos casados 42 anos. O nosso filho biológico, o Pedro, está com 55 anos. Mas quando alguém me pergunta quantos filhos tenho, digo sempre que tenho dois, porque é verdadeiramente o que sinto… O Armando tinha sido casado com a Fernanda Borsatti, de quem já tinha um filho, o José Eduardo, que o pai carinhosamente tratava por Funfas, pois fungou mal nasceu. Mas por força da muita atividade da Fernanda e de nós termos mais apoios, sobretudo o da minha mãe, o Funfas foi criado lá em casa. Entre os adultos houve sempre uma relação cordial, de gente educada, como tinha de ser pelo bem de todos, especialmente de uma criança. A nossa profissão era absorvente e emocional, nem sempre favorável ao equilíbrio familiar. Mas, felizmente, nós tínhamos essa consciência.

O José Eduardo e o Pedro converteram-se em dois homens bem formados e bem sucedidos, o primeiro médico e o segundo arquiteto. São amicíssimos. A relação entre os dois e comigo não podia ser melhor. Nunca se esquecem de mim, tal como os meus netos do Funfas.

Não há segredos para que uma relação entre madrasta e enteado funcione bem. Só sensibilidade e bom senso. Para ele, eu não era madrasta, era Manela, como sempre me tratou. Eu tratava-o por Funfas mas não por tu. Fazia por respeitá-lo, razão pela qual o servia sempre antes do Pedro quando nos sentávamos à mesa.

Lembro-me bem da minha preocupação pela maneira como iria dizer ao Funfas que estava grávida. Era assunto delicado… Um dia estávamos os dois a ver televisão e perguntei-lhe: ‘Que nome é que quer dar ao seu irmão ou irmã?’. Escolheu Anabela para menina e Pedro para rapaz.

A mais ninguém daria esse privilégio!”

Fotografia: Mª. Helena da Bernarda

José Manuel Fonseca (Nós Nos Outros)

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por Maria Helena da Bernarda

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José Manuel Fonseca


(publicado a 17 de setembro de 2023)

FASCINAÇÃO
“Vim para a Casa do Artista em 2015, com a minha mulher. Vim por ela, como iria com ela para onde fosse.

Estivemos 53 anos juntos. Só a sua morte, há 4 anos, nos separou fisicamente. Mas ela não saiu de mim. Continuo a sentir-me casado, razão pela qual nunca tirei as alianças.

Fui seu cuidador na doença prolongada - Demência de Corpos de Lewy, uma combinação de Alzheimer e Parkinson - e seu marido em qualquer circunstância. Só não lhe dava o banho, por falta de conhecimento, mas dava-lhe comida na boca, pintava-a, passeava-a na cadeira de rodas…

Sempre senti por ela um amor imenso; imenso, até nos seus últimos dias, já em estado vegetativo. Ela merecia todo o meu amor, pois foi sempre uma excelente companheira, uma mãe extremosa e uma avó impressionante. Temos dois filhos e dois netos.

Ambos adorávamos música e leitura. Éramos cúmplices em tudo na vida, desde os gostos às tarefas domésticas. A sua demência progressiva começou dois anos antes de virmos para aqui. Um dia partiu a casa toda. Não me zanguei com ela, como poderia eu zangar-me com uma doente?

Ainda aguentei o que pude, até reconhecer que o melhor para ambos era virmos juntos - sempre juntos - para a Casa do Artista. A partir de certa altura ela já não reconhecia ninguém, senão a mim. Quando sofria de dores durante o banho, sempre chamava o meu nome, o único que ela conseguiu dizer até ao fim: 'Zé'. Foi um amor para a vida. Nunca admiti substituí-la, nem pouco mais ou menos.

Nos seus últimos dias, foi para uma clínica, para morrer. Aí eu não podia ficar de noite mas passava lá as tardes, falando-lhe, dando-lhe festinhas, tranquilizando-a. Instalei duas colunas no quarto e punha a tocar as músicas de que ela mais gostava. Adorava ‘Fascinação’, da Elis Regina. Estava ao seu lado quando morreu, o que, de certa forma, me ajudou. Já estava preparado para a deixar ir.

Não sou assim por compromisso religioso ou moral. A dedicação que mantenho por ela é espontânea, não uma obrigação. Não faço nada por obrigação, mas por instinto. Não confundo valores com dogmas. Eu sou de valores, dos que vêm de dentro para fora.

Já não deixei a Casa do Artista. Com 82 anos, não podia estar num lugar melhor.”

Fotografia: Mª. Helena da Bernarda

Anita Guerreiro (Nós Nos Outros)

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por Maria Helena da Bernarda

Anita Guerreiro 1

Anita Guerreiro


(publicado a 16 de setembro de 2023)

CHEIRA A LISBOA
“A Casa do Artista é hoje a minha casa e o fado sempre foi a minha alma…

Batizaram-me de Bebiana Guerreiro Rocha, mas esse não é nome artístico. Aproveitaram o Guerreiro, para dar luta, e juntaram-lhe Anita, mais carinhoso. Até aos meus 12 anos, éramos cinco lá em casa: os meus pais e as três filhas. Nessa altura passámos a quatro, porque a nossa mãe faleceu de febre tifoide. Nunca tive desgosto maior. Ela era muito querida; estava sempre a fazer bem a toda a gente. Comecei a cantar na escola primária o hino nacional, que era obrigatório. A minha voz distinguia-se e puseram-me logo como primeira figura. Pelos 14 anos, já cantava na coletividade Sport Clube Do Intendente. Entrei lá numa revistinha e já não me largaram.

Fiz muita revista, cantei e lancei muitos fados originais, mas talvez o mais conhecido é o ‘Cheira Bem, Cheira a Lisboa’, com letra do César de Oliveira. Também fui Madrinha de muitas marchas populares de Lisboa, entre elas a ‘Marcha dos Mercados’. Fiz teatro, cinema, televisão e muita avenida abaixo nos Santos Populares. Abri ainda um restaurante e casa de fados, a casa típica Adega da Anita, à entrada do Parque Mayer Em tudo fui feliz, porque me entreguei com toda a minha alma. Ainda gosto muito de cantar. A voz pode não ser a mesma, mas a alma é.

Tive um primeiro casamento demasiado cedo, que não me deu filhos. Casei pela segunda vez com o Pepe Cardinali, cantor e ilusionista do Circo Cardinali, com quem tive dois filhos e me fez muito feliz. Nunca foi ciumento, nem eu nunca lhe dei razões para isso. Além disso, ele vinha do mundo do espetáculo, que compreendia bem. Gostava de me ver atuar, mesmo muito doente.

Ele adoeceu de Alzheimer e uma parte de mim adoeceu como ele. Quando o perdi, ficaram muitas saudades e a certeza de que nunca iria dar espaço a mais ninguém. Dizem que sou generosa e que não trato mal ninguém, mas também dizem que sou um bocadinho teimosa e disso eu tenho a certeza que sim. Mas há muitas outras coisas de que já não tenho certeza. É que a memória já me vai falhando, o que até convém dizer a quem nos pergunta a idade!” (risos)

Fotografia: Mª. Helena da Bernarda

Maria Isabel Mexia (Nós nos Outros)

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por Maria Helena da Bernarda

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Maria Isabel Mexia


(publicado a 14 de setembro de 2023)

1|2 UMA COISA E O SEU CONTRÁRIO - O amor
“Completei 90 anos na Casa do Artista, onde vivo há 6 anos, bem acompanhada. Mas mantenho proximidade com os meus sobrinhos, a quem fui sempre muito ligada. Nunca casei. Tive uma vida linear, dentro dos carris da minha geração. Fui professora de piano durante toda a minha atividade profissional.

Ter seguido por linhas direitas não significa que não tivesse as minhas contradições, tão próprias da natureza humana. Não casei mas vivi um amor de 6 anos. O amor é mais delicado e exigente do que a paixão e tive a sorte de perceber esse sentimento. Teria sido expectável ter casado. Não aconteceu porque percebemos que o casamento não resultaria. Havia incompatibilidades que nos afastavam e que envolviam familiares mais conservadores. Mas não lamento esse tempo, porque enquanto durou, fui feliz. E eu não vivo só em função de um propósito, vivo em função da verdade.

Depois… não aconteceu encontrar alguém que me interessasse muito. Não me venham falar em amor único. Eu não estava fechada, mas fui sempre muito independente e nunca procurei nada nos homens.

No meu tempo, o homem estava habituado a ser adulado e eu nunca tive jeito para me submeter a esse papel.

Devo essa postura à minha avó paterna - a avó Alice - com quem vivi muitos anos em Coimbra, cidade onde estudei, dado os meus pais viverem na Lousã. Se não fosse ela, talvez eu tivesse casado muito cedo com um rapaz de quem não gostava e me fazia a corte na minha tenra adolescência. A minha família gostava dele - já cursava Engenharia - mas essa minha avó compreendia-me. Um dia disse-me: ‘Filha, não és feliz. Ele não é homem para ti!’. Ela própria tinha sentido na pele o peso do preconceito. Casou com o meu avô aos 18 anos, quando a paixão dela foi outro rapaz. Mas a sua mãe disse-lhe que preferia vê-la morta a vê-la casada com o homem de quem gostava. E naquele tempo não era fácil contrariar a família.

A minha avó nunca deve ter sido feliz, porque tinha uma personalidade muito à frente do seu tempo, mas uma vida formatada pela tradição.

Devo-lhe a ela a minha independência. Se não fosse ela, teria casado com o primeiro pretendente e não teria conhecido o amor.”

Fotografia: Mª. Helena da Bernarda

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(publicado a 15 de setembro de 2023)

2|2 UMA COISA E O SEU CONTRÁRIO - Deus está para todos
“Fui uma de seis filhos. Fiz o liceu e depois o curso superior de Piano e Composição. Revejo-me na composição musical clássica. Gosto daquela certeza. Gosto da vida regrada, da rotina, do compasso, do som do metrónomo. Gosto da vida sempre igual, dá-me segurança. Daí não me ser fácil adaptar a outros andamentos. É certo que à rotina dos dias tem de se juntar sensibilidade e luminosidade, senão seríamos máquinas vivas.

Às vezes penso que fui sempre uma coisa e o seu contrário, ao ponto de cair na contradição: sou simples e complicada, mas mais complicada do que simples! (risos)

Gostaria talvez de ser mais elástica. Tenho tendência para a preguiça, o que gera um certo desleixo. Forço-me a impor alguma ordem à minha volta. Mas creio que tive sempre a faculdade de comunicar, de evitar o conflito e de gostar das coisas bonitas.

A idade trouxe-me mais tolerância, até para aceitar o que não compreendo totalmente. Por exemplo, tenho dificuldade em compreender a homossexualidade, mas respeito e aceito. Então se as pessoas gostam, quem sou eu para dizer que não é bom? (risos)

A Casa do Artista tem seis pianos mas já não toco. Como estou destreinada e sou exigente comigo, prefiro escrever, que é uma atividade solitária e de que ainda sou capaz. Vou fazendo os meus escritos sobre episódios que vivi ou assisti. O meu sobrinho Pedro lembrou-se de os reunir e editar em livro.

Sou católica, profundamente crente mas não fanática. Rezo todos os dias e acredito que Cristo ultrapassou tudo o que a Musa antiga canta, como dizia Camões. Cristo, no seu tempo, tentou que todos fossem filhos de Deus, desde os poderosos aos escravos. Deus está para todos.

Como rezo por todos, rezo por mim também. Remeto para as minhas orações o que me pode perturbar, nunca para um psicólogo. Rezo para não cair e fracturar um osso. Rezo para não precisar dos outros. Outro dia até pensei que se rezo a Deus e aos Arcanjos para que não me aconteça nada de mal, então nunca mais morro! (risos)

Não desejo a vida eterna mas quando morrer, que morra em paz! Até lá, vivo o melhor de que sou capaz!”

Fotografia: Mª. Helena da Bernarda

Campanha IRS 2024

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Campanha Consignação IRS 2024

APOIARTE - Casa do Artista

Ana Rocha, Cláudia Pascoal, Fernando Mendes, FF, João Baião e José Carlos Malato juntos com Anita Guerreiro, António Évora, José Manuel Fonseca, Lily Neves, Maria Valejo e Simone de Oliveira, juntam-se num abraço intergeracional por uma causa acarinhada por tantos portugueses.

No ano em que se comemoram os 25 anos da Instituição Particular de Solidariedade Social, APOIARTE – Casa do Artista, desafiámos algumas entidades e personalidades conhecidas do grande público a fazerem parte desta campanha que se tem mostrado muito importante para esta instituição. 

Ao Consignar 0,5% do seu IRS referente ao ano de 2023, além de ter um Custo Zero para si, está a apoiar a Missão, os Valores e a Visão da APOIARTE – Casa do Artista em relação aos diferentes desafios que diariamente esta instituição enfrenta!

Somos uma instituição que apoia e dignifica os Artistas e toda a Comunidade Artística em Portugal. Consignar 0,5% do seu IRS à APOIARTE – Casa do Artista é motivar o desenvolvimento da inovação, do respeito, da consideração e do amor que se tem, e que se deve ter, pelo próximo. 

Não está a par de quem realmente somos? CLIQUE AQUI!

Pretende entender um pouco mais sobre a Consignação do IRS? CLIQUE AQUI!

Pretende ajudar de outra forma esta instituição? CLIQUE AQUI!

MAKING OFF | CAMPANHA IRS 2024

FICHA TÉCNICA da Campanha IRS 2024

Artistas Convidados

Residentes Casa do Artista:
Anita Guerreiro
António Évora
José Fonseca
Lily Neves
Maria Valejo
Simone de Oliveira

Artistas Convidados:
Ana Rocha
Cláudia Pascoal
Fernando Mendes
FF
João Baião
José Carlos Malato

Pequenos Artistas:
Amália de Sousa Rocha Matias Mendonça
Beatriz Carrera
Emília Maria da Cunha Abrunhosa
Eva Carvalho Lemos
Rita Carrera
Valentina Maria Alves dos Santos

Equipa Técnica (Captação de Imagens & Edição do vídeo Campanha):

Concept Media

Making Off (Captação de Imagens & Edição Vídeo):

Cláudio Martins

Conceito Criativo:

Ana Sécio, Frederico Corado, Jonas Cardoso, Paulo Dias

Produção, Comunicação & Marketing:

Ana Sécio e Jonas Cardoso

Realização:

Frederico Corado

Voz Off:

José Raposo

Cabelo & Maquilhagem:

Carlos Feio e Tatiana Cruz

Colaboração:

Celeste Passarinho, Joana Figueiredo, Mónica Vaz, Paula Trindade, Pedro Miranda, Quim Tó, Ricardo Madeira, Tiago Santos

Direção APOIARTE – Casa do Artista:

José Raposo (Presidente), Conceição Carvalho, Frederico Corado, Paulo Dias, Sofia Grillo

Parceiros Institucionais:

República Portuguesa
Camara Municipal de Lisboa
Junta Freguesia de Carnide
Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

Apoios e Agradecimentos:

Miguel Osório
Concept Media
Altice
Sapo
Delta Cafés (Grupo Nabeiro)
Ucal
Santal
Fundação do Futebol – Liga Portugal
Quinta do Gradil
Tyrrells

APOIARTE LOGOS atualizado e1712619125327

Consignar 0,5% do IRS – Como e porquê?

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Consignação do IRS e do IVA: como ser solidário com o seu imposto

Sabe que pode ajudar quem mais precisa com o seu IRS? Neste artigo, o Montepio explica tudo sobre a consignação do IRS e a consignação do IVA e quais as diferenças entre elas.

Voluntariado

Tratar do IRS é uma obrigação fiscal, mas também uma forma de ajudar. Como? A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) permite, desde 2001, que os contribuintes utilizem o seu imposto para apoiar entidades de cariz social, ambiental ou cultural, através da consignação do IRS e/ou da consignação do IVA. As entidades elegíveis para receber as referidas consignações constam de uma lista elaborada, anualmente, pela AT.

Como funcionam a consignação do IRS e a consignação do IVA?

 

Consignação do IRS
A consignação do IRS permite-lhe encaminhar uma parte do imposto a favor do Estado para uma entidade. E sem qualquer custo: não recebe menos reembolso nem paga mais imposto adicional, consoante o caso.

Através da consignação do IRS, pode atribuir a uma entidade 0,5% do IRS liquidado (imposto que cabe ao Estado depois de descontadas as deduções à coleta). Assim, em vez de o seu IRS ficar todo nas mãos do Estado, uma parte é canalizada pelo próprio Estado para a causa que escolher apoiar.

Caso prático
Imagine que, relativamente ao seu IRS de 2023, a entregar em 2024, o seu IRS liquidado é de 15 000 euros e tem direito a um reembolso de 2 000 euros. Se decidir consignar 0,5% do seu IRS liquidado a uma entidade, esta receberá 75 euros (15 000 euros x 0,5%). Já o Estado arrecadará a diferença entre o IRS liquidado (15 000 euros) e a consignação de 0,5% do IRS (75 euros), ficando apenas com 14 925 euros (15 000 euros – 75 euros). Caso opte por não consignar 0,5% do seu IRS liquidado, o Estado ficará a ganhar. Ou seja, receberá a totalidade do seu IRS liquidado (15 000 euros). Em qualquer dos cenários, o seu reembolso não é afetado. Receberá, assim, 2 000 euros.

Consignação do IVA
Além de encaminhar 0,5% do seu IRS liquidado para uma entidade à sua escolha, pode oferecer, à mesma organização, o valor da sua dedução do IVA suportado pela exigência de fatura. Trata-se de uma dedução que permite recuperar 15% do IVA pago em faturas de oficinas de automóveis e motociclos, restaurantes, alojamentos, salões de estética, veterinários e ginásios. Além disso, através desta dedução, é possível também abater ao IRS 100% do IVA pago em faturas de passes sociais.

Mas tome atenção. Ao contrário da consignação do IRS, a consignação do IVA implica um custo. Porque, nesse caso, deixa de poder deduzir aquele valor ao seu IRS, o que se traduz no recebimento de menos reembolso ou na entrega de mais imposto adicional. O desconto no imposto que lhe cabia, por via da dedução do IVA suportado pela exigência de fatura, é entregue à organização escolhida por si.

Caso prático
Suponha que, no cálculo do IRS de 2023, é apurado um IRS liquidado no valor de 10 000 euros e um reembolso de 1 000 euros. Recorde-se que o IRS liquidado é o valor do imposto a pagar depois de descontadas todas as deduções à coleta. Caso opte por consignar a dedução do IVA por exigência de fatura, digamos de 250 euros (o valor máximo por contribuinte), deixa de poder beneficiar dela. Desta forma, o seu IRS liquidado passa a ser de 10 250 euros e o seu reembolso de 750 euros. Ou seja, vai pagar mais 250 euros de IRS e receber menos esse valor de reembolso.

Como escolher uma organização?

APOIARTE – Casa do Artista

Pode optar por consignar o IRS e/ou o IVA à associação onde exerce voluntariado, a uma associação mutualista ou a uma organização de direitos humanos, por exemplo. A escolha fica ao seu critério. Desde que seja uma organização autorizada pela AT para esse fim.

A APOIARTE – Casa do Artista encontra-se entre as instituições que pode ajudar. Se optar por beneficiar esta entidade, estará a apoiar um projeto que honra e dignifica a Comunidade Artística em Portugal. Este tipo de apoio revela-se extremamente importante para que a Residência Sénior da Casa do Artista possa continuar a dar Casa a Artistas que tanto fizeram e deram de si à Cultura e às Artes em Portugal. Além do mais, ajuda a manter de pé o Centro de Formação, a Galeria Raul Solnado e, ainda, o Teatro Armando Cortez. 

Quando e como consignar o IRS e o IVA?

 

Desde 2019, a consignação do IRS e do IVA pode ser efetuada em dois momentos:

  • Até 31 de março, antes da época de entrega do IRS;
  • Entre 1 de abril e 30 de junho, durante o período declarativo.

Até 31 de março
A escolha da entidade pretendida é realizada no Portal das Finanças, em “Comunicar entidade a consignar IRS/IVA”. Para proceder à indicação dos dados da entidade à qual pretende consignar o IRS e/ou o IVA, clique no botão de “Pesquisa” junto ao campo do NIF e selecione a que pretende dentro da lista de entidades elegíveis. Por fim, pressione em “Submeter”. Veja como consignar o IRS e o IVA no Portal das Finanças, passo a passo através deste Artigo do Montepio. 

De 1 de abril a 30 de junho
A seleção da entidade pode ser efetuada no IRS Automático ou na declaração de rendimentos (Modelo 3). Em qualquer dos casos é necessário indicar:

  • Tipo de entidade que pretende apoiar. Existem quatro opções: IPSS, instituições religiosas, pessoas coletivas de utilidade pública (incluindo com fins ambientais) e instituições culturais;
  • NIF da entidade;
  • O tipo de consignação: “IRS” ou “IVA” ou as duas.

IRS Automático
No IRS Automático, a consignação é efetuada na área “Pré liquidação”.

consignacao automatico

Modelo 3


Na declaração de rendimentos Modelo 3, a consignação realiza-se no quadro 11 da folha de rosto.

Consignacao IRS 1

Não se esqueça…

Na entrega do IRS de 2023, em 2024, seja solidário. Consigne, pelo menos, 0,5% do seu IRS. Não lhe custa nada. E com esse ato pode fazer a diferença na vida de quem mais precisa.

 

NIF APOIARTE – Casa do Artista: 501 705 163

Entrega IRS

1% faz a diferença

Quando entregar o seu IRS lembre-se do NIF 501705163

NIF Apoiarte – Casa do Artista

501 705 163